Estresse a mil

16/12/2018 18h40 - Por: Oscar D’Ambrosio

O protagonista do filme dinamarquês concorrente ao Oscar de 2019 de Melhor Filme Estrangeiro, ‘Culpa’, é um policial suspeito de ter cometido um assassinato por exagero no exercício da função. Colocado temporariamente para trabalhar numa central telefônica de emergência, recebe ligações de assaltos ou acidentes de trânsito.

Às vésperas do julgamento, o serviço é acionado por uma mulher que está sendo aparentemente sequestrada pelo ex-marido. Mas nem tudo parece ser exatamente o que é na narrativa dirigida por Gustav Möller. As ligações entre esse casal e os dois filhos são repletas de nuanças, e o policial só tem o telefone para entender o que está, de fato, acontecendo.

O suspense é muito bem conduzido e o estresse do protagonista é mostrado num crescente. Em busca de soluções para a situação, ele se vale de amigos e sai das normas do sistema. E é nesse ponto que o filme cresce, pois é colocado em xeque o desafio de como ser um excelente profissional seguindo à risca as prescrições da corporação.

O profissional de melhor qualidade não seria justamente aquele que propõe o inesperado para poder lidar com as situações excepcionais, ou seja, aquelas que obrigam a encontrar soluções fora do que está nos manuais? O filme lida com essa e outras questões com crueza, sem concessões ao romantismo.

Por isso mesmo, faz pensar sobre como lidamos com as difíceis questões que nos rodeiam. Problematiza como fugir das respostas prontas é geralmente a melhor alternativa, mas também a mais difícil de ser aceita pelo próprio sistema.

Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.

 

Envie seu Comentário