15/05/2017 07h02

Jogos Paralímpicos no Brasil

O investimento no esporte Paralímpico no Brasil é bem aquém do investimento no esporte olímpico

Paulo Roberto Brancatti

 

Após alguns meses da realização dos Jogos Paralímpicos do Brasil em setembro de 2016, e com a colocação do Brasil em 8ª. Lugar na classificação geral, a pergunta que nos cabe agora é sobre qual o legado esses Jogos deixam para o país. A conquista de várias medalhas em diversas modalidades desportivas reforça o trabalho que vem sendo realizados em vários locais do Brasil, onde Entidades, Clubes, Associações, Prefeituras e Universidades lutam para manter viva a esperança de revelação de atletas Paralímpicos, lutando com muitas dificuldades, principalmente financeira, para manter acesa a esperança de muitas pessoas com deficiências terem oportunidades e direitos numa prática desportiva.

O investimento no esporte Paralímpico no Brasil é bem aquém do investimento no esporte olímpico, haja vista o papel da mídia na cobertura dos jogos olímpicos em detrimento da cobertura nos jogos Paralímpicos. E além do mais, percebem-se uma série de informações errôneas no que se refere às modalidades desportivas e suas devidas classificações funcionais previstas pelo Comitê Paralímpico Internacional. E comentários desnecessários em relação às pessoas com deficiências, e certa diminuição como atleta. Os mesmos não devem ser descriminados e nem desvalorizado com palavras pejorativas como as que são comuns no imaginário social, e sim, como sujeitos inseridos numa realidade de prática desportiva e que tem interesses em progredir na vida como atleta e lutar pelo convívio no meio social.

O esporte Paralímpico vem crescendo no Brasil em quase todas as modalidades desportivas. É claro que algumas são mais tranquilas de se trabalhar como o vôlei sentado, o futebol de sete, o futebol de cinco e a natação. No entanto, outras modalidades como o atletismo, basquete sobre rodas, tênis de mesa e de tênis para cadeirantes, goalball, tiro esportivo e tiro com arco e rúgbi em cadeira de rodas, requerem materiais próprios as modalidade como cadeira de rodas esportivas, bancos para realização dos arremessos e lançamentos no atletismo, próteses, órteses, raquetes, vendas (acessórios) para os olhos, o que demanda custos financeiros para aquisição desses equipamentos adaptados. Nesse sentido, o papel do patrocinador, sendo publico ou privado, é fundamental para a formação de novos atletas e também para incrementar a formação de profissionais específicos para trabalharem na área do esporte Paralímpico, como técnicos, preparadores físicos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, médios, nutricionistas, assistentes sociais, psicólogos e outros.

Na cidade de Presidente Prudente, através da Associação de Desporto Adaptado (ADAPP) em parceira com a Prefeitura Municipal através da SEMEPP, UNESP e USINA ALTO ALEGRE, vimos realizando esse trabalho há 17 anos, com os esportes do basquete em cadeira de rodas, atletismo e natação para pessoas com deficiências, bocha adaptada e encontram-se mais dificuldades do que facilidades, com mais força de vontade do que investimentos próprios e, em fim, com muita determinação e coragem para manter viva a esperança dos esportes Paralímpicos crescerem na Cidade e Região.

Colaboração de Paulo Roberto Brancatti é professor da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Unesp de Presidente Prudente.