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07/12/2016 07h09

Força, Chape

Jogadores, comissão-técnica, jornalistas e tripulantes foram dizimados na maior tragédia do nosso esporte

Samuel Magalhães

 
 

Na última terça, o mundo foi surpreendido com uma notícia trágica: o avião que levava o time de futebol da Chapecoense até a Colômbia, onde disputariam a final da Copa Sul-americana, caiu!

Jogadores, comissão-técnica, jornalistas e tripulantes foram dizimados na maior tragédia do nosso esporte. Ao todo, 71 pessoas faleceram, deixando familiares, amigos e o mundo inteiro consternados com a situação.

Entretanto, o que mais dói nessa história toda não é a morte em si. Afinal, assim como a derrota faz parte do jogo, a morte faz parte da vida. O que mais dói nisso tudo é saber que, ao que tudo indica, essas mortes aconteceram simplesmente porque o piloto da aeronave – que também é o dono da companhia aérea – não abasteceu o suficiente para que o vôo tivesse uma margem de segurança para eventuais imprevistos.

Por que ele fez isso? Simples... reduzir despesas e maximizar o lucro! Sou um capitalista convicto. Sou e continuarei sendo um eterno defensor dos empreendedores. Acredito piamente que custos devem ser reduzidos ao máximo e lucros precisam ser maximizados.

Mas cá para nós... NÃO DESSE JEITO! Ninguém tem o direito de colocar a vida de outra pessoa em risco em prol de alguns dólares a mais na última linha do balanço financeiro.

Prejuízos se recuperam... vidas perdidas, jamais!

Se existe uma coisa que aprendi ao longo desses quase 30 anos de vida é que o copo está sempre com água pela metade. Se ele está meio cheio ou meio vazio vai depender do ponto de vista de cada um.

Sei que é difícil olhar a parte cheia quando uma cidade inteira está de luto, e 71 pessoas perderam suas vidas, deixando torcedores, familiares e amigos sem chão. Porém, as demonstrações de solidariedade vindas de todas as partes do mundo e, em especial, da equipe do Atlético Nacional da Colômbia, que iria enfrentar a Chapecoense na final do torneio sul-americano, nos faz ter esperanças na humanidade.

"Enquanto houver vida, há esperança!" já dizia o sábio. Uma pena que tantas pessoas tenham precisado nos deixar para que pudéssemos renovar nossa esperança.

Quanto aos que se foram, nada podemos fazer! Mas ainda restam mais de 200 milhões de habitantes no Brasil. Que cada um de nós possa, a sua maneira, tornar nosso país um lugar melhor para se viver.

A vida é repleta de incertezas e talvez a única certeza que tenhamos é que, algum dia, iremos partir. Enquanto esse dia não chega, torço para que possamos ter um vida plena e abundante. Abundante de dinheiro sim, porque é importante. Mas mais do que isso, abundante de alegria, de generosidade, de solidariedade, de compaixão... abundante de bons exemplos, de paz, de companheirismo, de saúde, de boas amizades, de felicidade.

Abundante de amor próprio, amor aos outros... abundante de amor. Ou, Simplesmente, abundante!

Em um momento que palavras não bastam para representar nossos sentimentos, que possamos falar menos e fazer mais. E em momentos como esse, em que não sabemos o que fazer, que sigamos o conselho de São Francisco de Assis...

"Senhor, dai-me força para mudar o que pode ser mudado... Resignação para aceitar o que não pode ser mudado... E sabedoria para distinguir uma coisa da outra."

Força, Chape!

Samuel Magalhães é Consultor especializado em Finanças e Negócios

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