Vereadores terão equipe de trabalho para garantir direitos dos autistas

27/11/2018 20h13
Foto: Izaias Medeiros Foto: Izaias Medeiros

A criação de uma comissão para vistoriar e monitorar as ações de inclusão praticadas no Município de Campo Grande foi um dos apelos feitos na sessão ordinária desta terça-feira (27) pela presidente da "Pro D Tea", Carolina Spinola Alves Corrêa, que ocupou a Tribuna para falar sobre políticas públicas contra o preconceito do TEA (Transtorno do Espectro Autista). O convite para falar sobre o tema foi feito pelo vereador André Salineiro. Vários vereadores já se disponibilizaram a integrar essa equipe de trabalho, que também tratará da criação de cadastro específico das pessoas com autismo.

Ela agradeceu as leis já aprovadas pela Câmara de Vereadores para promover a inclusão e garantir direitos dos autistas, mas ponderou que nem todas são colocadas em prática. "Agradecemos muito quando a lei é aprovada na Casa, mas o que adianta se a lei não tem eficácia, não tem ação. Externo aqui o que as famílias sentem, porque a qualidade de vida não saiu do papel", afirmou.

Uma das sugestões é a criação de um cadastro da pessoa com autismo em Campo Grande para acompanhar as dificuldades que as famílias estão enfrentando e poder dar apoio diante das barreiras encontradas. Estima-se que em Campo Grande existam 9 mil autistas, mas hoje apenas 1,5 mil participam da associação que os atendem. "Onde estão essas famílias? Até quando vamos ficar sem saber se estão excluídas na escola ou da assistência social? Precisamos do cadastro da pessoa com autismo para entender o que está acontecendo com essas famílias no município", afirmou Carolina.

A presidente da "Pro D Tea" vai entregar aos vereadores um relatório com alguns casos específicos em que os autistas sofreram com exclusão e discriminação ao procurarem serviços. Uma das situações refere-se a um pai que matriculou a filha em um clube beneficente para prática de natação, mas depois recebeu aviso que ela não poderia fazer as aulas porque não tinham pessoas capacitadas para atendê-la. Ela mencionou ainda o caso de gêmeos que foram excluídos de um parque de um shopping porque eram autistas.

"A sociedade está desrespeitando a Lei da Inclusão. Não importa se é uma instituição particular ou beneficente; a lei é para todos. O que vai acontecer com o clube? Com as escolas que ainda aceitam os autistas de forma velada, sem incluir da forma adequada, conforme a legislação?", questionou. Carolina cobrou atenção a esses casos não resolvidos e uma legislação mais austera para que esses locais estejam adequados às normas de inclusão e sejam multados diante de ilegalidades cometidas.

"Isso é empatia, direito humano, dignidade", resumiu Carolina, sobre as cobranças feitas. Os vereadores dispuseram-se a dar prosseguimento à criação da Comissão para monitorar essas dificuldades enfrentadas pelas famílias, a implantação do cadastro e promover reunião com o prefeito Marquinhos Trad para discutir as medidas que podem ser adotadas para aperfeiçoar a fiscalização das leis que estão em vigor. Salineiro mencionou ainda a criação de centro especializado para acompanhar os autistas, repassando orientações, incluindo crianças, adultos e idosos que precisam dessa assistência.

*Milena Crestani - Assessoria de Imprensa da Câmara Municipal *

 

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