13/12/2011 15h03 - Atualizado em 13/12/2011 15h03
O Brasil cada vez mais perto do Pacífico
Além do grande benefício econômico para todo o Brasil, a rodovia vai representar um enorme desenvolvimento regional
Vinicius Lopes Doti/Repórter News
A Rodovia Transoceânica, estrada de quase três mil quilômetros ao longo da Floresta Amazônica e dos Andes, que ligará o Brasil ao Oceano Pacífico, vai ser uma alternativa importante para as nossas exportações aos crescentes mercados da Ásia, responsáveis por mais de 15% de nossas vendas externas.
Serão 6 mil quilômetros a menos que os produtos nacionais terão de percorrer até chegar aos consumidores chineses, japoneses, indianos, coreanos e de outras nações daquele continente. Convertida em dólares, essa expressiva distância menor significará sensível redução de custo dos fretes, agregando mais um diferencial competitivo aos manufaturados e commodities brasileiros no comércio exterior.
Além do grande benefício econômico para todo o Brasil, a rodovia vai representar um enorme desenvolvimento regional, não apenas no Acre, mas também nos estados vizinhos e vasta área do território do Peru. Uma pesquisa da FIEAC, Federação das Indústrias do Estado Acre, estima que o imenso mercado a ser aberto pela estrada envolveria cerca de 7 milhões de consumidores em Madre de Dios, Cusco, Puno, Arequipa, Apurímac, Ayacucho, Ica, Tacna, entre outros.
A Rodovia Transoceânica é uma das mais ousadas obras de engenharia de todos os tempos. Caso a estrada seja concluída, ela irá representar uma vitória do talento humano ante dificuldades geográficas imensas. O traçado parte de Rio Branco, no Acre, e segue por 344 quilômetros em território brasileiro. Depois, cruza a fronteira com o Peru, percorrendo mais 2.256 quilômetros, cortando a Floresta Amazônica e a Cordilheira dos Andes, até chegar a três portos do país vizinho: Ilo, Matarani e San Juan de Marcona. Um empreendimento de US$ 1,8 bilhão, envolvendo os governos das duas nações e a participação privada.
O avanço da engenharia está viabilizando a superação de formidáveis obstáculos naturais: a maior floresta tropical do mundo e a Cordilheira dos Andes. Há trechos da estrada a 3.500 metros acima do nível do mar e um segmento a 4.870 metros de altitude. A obra é um exemplo da capacidade brasileira e latino-americana de solucionar o déficit de infra-estrutura, um dos mais graves e preocupantes gargalos da economia regional, em especial o setor de transportes, ainda muito aquém dos desafios da logística.
Contudo, o sucesso desse grande empreendimento transnacional, principalmente quanto aos resultados que pode produzir em termos de fomento, redução dos custos dos fretes à Ásia e geração de riquezas e empregos, ainda depende da vitória sobre empecilhos não geográficos, mas políticos e relacionados à diplomacia econômica. Há alguns pontos sensíveis a serem superados para a consolidação da Rodovia Transoceânica como polo de desenvolvimento.
É preciso encarar com otimismo as possibilidades de avanços em todas essas negociações, devido a inegável importância da Rodovia Transoceânica. Afinal, seria uma inadmissível ironia, depois de vencer a Floresta Amazônica e os Andes, limitar os impactos econômicos positivos desse fabuloso empreendimento em decorrência de problemas burocráticos.
Colaborou Vinicius Lopes Doti Contato: lopesdotti@hotmail.com


